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Da mina no deserto à beira do rio Níger.
A mina se chama Taoudenni e fica no extremo norte do Mali, a uns 660 km de Timbuktu em linha reta, no coração do Saara maliano. Dela sai a Azalai (a caravana do sal, em tamasheq, a língua dos tuaregues), que leva as placas para o sul.
Uma lei de 2012 criou ali a região administrativa de Taoudénit, que começou a funcionar em 2016. O território é imenso e quase vazio: fora os mineiros e os condutores de camelo, pouca gente mora naquele trecho de deserto.
A mina ocupa o fundo de uma baixada rasa, onde o chão desce alguns metros abaixo das dunas em volta. Ali houve um lago. Hoje o leito é uma crosta plana de barro avermelhado, rachada pelo sol, com as covas dos mineiros espalhadas como furos numa peneira.
UM TRAJETO MARCADO POR POÇOS
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A caravana não segue a linha mais curta: ela vai de poço em poço, e cada poço decide o desenho da rota.
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Entre a mina e Timbuktu, a parada principal é Araouane, uma vila de casas de barro meio enterradas na areia, a uns 270 km ao norte da cidade. Ali os camelos bebem, e os condutores trocam notícias e mercadoria.
No trecho norte, entre Taoudenni e Araouane, quase não há água. Os condutores sabem de cor a posição dos poços e se guiam pelas estrelas e pelo formato das dunas, que mudam pouco de uma estação para a seguinte.
Mais ao norte ficam as ruínas de Taghaza, a mina anterior, a uns 150 km de Taoudenni. Ali as casas e a mesquita foram erguidas com blocos de sal, e restos das paredes aparecem até hoje na areia.
O viajante marroquino Ibn Battuta passou por Taghaza em 1352 e registrou na Rihla (o relato de viagens), ditada em 1355, que “as casas e a mesquita são de blocos de sal, cobertas com peles de camelo”. Ele anotou também que ali não crescia árvore e que a água era salobra.
No sul da rota, Timbuktu fica a poucos quilômetros do rio Níger. Ali o deserto encontra a água corrente, e por essa beira de rio o sal entra no comércio do Sahel (a faixa semiárida ao sul do Saara).
Mina, poço e cidade formam um eixo quase reto no sentido norte-sul. O desvio que existe vem dos poços: a caravana se curva para alcançar a água, e depois retoma o rumo.
No mapa, a rota inteira cruza só o território do Mali. Ela começa em pleno deserto, sem estrada, e termina na margem do maior rio da África Ocidental, onde o sal troca o camelo pelo barco.
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