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Na maior parte da dorsal mesoatlântica, o manto sobe devagar sob a fenda, derrete em parte e vira lava basáltica, que esfria e forma o piso novo do oceano. Esse piso cobre o manto com uns 6 km de crosta.
Na zona de fratura de São Paulo, o derretimento foi pequeno. A falha transformante é um trecho frio da dorsal: ali as placas raspam de lado, e pouca rocha chega a fundir.
A pedra das ilhotas é peridotito (rocha do manto, verde-escura, feita sobretudo do mineral olivina). As faixas paralelas que lembram madeira prensada são a marca do milonito (rocha esmagada e esticada pelo atrito de uma falha).
O APERTO LATERAL
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Na zona de fratura de São Paulo, os blocos não deslizam em linha reta: o traçado faz uma curva, e os dois lados se comprimem enquanto raspam. Os geólogos chamam o movimento de transpressão (aperto de lado somado ao deslizamento), e é ele que espreme uma lasca do manto para cima, até furar a superfície do mar.
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A subida ainda acontece. O geólogo Thomas Campos, da UFRN, e colegas publicaram na revista Marine Geology, em 2010, que as ilhotas sobem 1,5 milímetro por ano, medido pela idade de conchas e algas fósseis presas na rocha acima do nível atual do mar.
A água do mar ajuda. Ela entra pelas fraturas e transforma a olivina em serpentina (mineral esverdeado e liso ao toque), num processo chamado serpentinização. A rocha incha, fica mais leve e sobe com mais facilidade.
Daí a laje do desembarque escorrega sob a bota mesmo seca: parte do brilho verde é serpentina.
Manto exposto acima do mar é raro no planeta. A ilha de Zabargad, no mar Vermelho, no Egito, também mostra peridotito à vista, mas fica num mar estreito, longe de uma dorsal oceânica aberta.
As faixas de manto vistas em Omã ou nos Alpes chegaram ao continente empurradas por colisões antigas e já não estão em atividade. Em São Pedro e São Paulo, o manto sobe hoje, no ponto exato onde a dorsal se abre.
A linha passa ali por uma soma de acasos: a dorsal se rasgou de lado, a falha fez uma curva, e a curva apertou o manto até ele aparecer. Os tremores registrados na região mostram a falha ainda em movimento.
A escala de expedições do Proarquipélago para o ano seguinte sai na página da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, em marinha.mil.br/secirm. Reconfira lá em fevereiro de 2027, antes de planejar qualquer pesquisa no arquipélago.
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