In partnership with

Geografia do Dia   Geografia do Dia
ED 072
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Os Apalaches continuam na Escócia e no Marrocos

Há 300 milhões de anos, as três serras formavam uma cordilheira só, partida quando o Atlântico abriu.

Mapa da Pangeia com a cordilheira que ligava os Apalaches, a Escócia e o Marrocos.

A cordilheira da Pangeia, antes do Atlântico

▼
 

O vento sobe do lago Ness frio e com cheiro de turfa molhada. Sob a bota, o xisto cinzento é áspero e solta brilhos de mica quando a nuvem abre por um minuto.

A trilha corta o Great Glen (Grande Vale), um rasgo reto que atravessa as Terras Altas da Escócia de Fort William a Inverness. A água dos lagos enfileirados ocupa o fundo da fenda, escura de tanino.

Na beira do caminho, um marco de madeira traz uma placa verde com três letras brancas: IAT. A sigla vem de International Appalachian Trail, a Trilha Internacional dos Apalaches.

Apalaches são as montanhas do leste dos Estados Unidos e do Canadá, a mais de 4.000 km a oeste, já na América do Norte. A placa, plantada na Escócia, parece erro de sinalização.

Ela está no lugar certo. A trilha nasceu em 1994, no estado americano do Maine, por ideia do ex-secretário estadual de conservação Dick Anderson, e foi ganhando trechos no Canadá, na Groenlândia, na Europa e no norte da África.

O critério do traçado é geológico. O caminho passa só por terreno feito da mesma família de rocha e dobrado pelo mesmo choque de continentes, sem ligar para fronteira de país nem para o oceano no caminho.

Quem desce da Escócia rumo ao sul e cruza o estreito de Gibraltar encontra parentes dessa pedra no Anti-Atlas, serra seca do sul do Marrocos. Ali, camadas de arenito e calcário dobradas em ondas aparecem sem vegetação nenhuma por cima, num calor que racha os lábios.

Três paisagens sem nada em comum à primeira vista: floresta úmida de bordo nos Apalaches, urze e turfa na Escócia, pedra nua e tamareira no Marrocos. A geologia junta as três numa cordilheira só.

O mapa abaixo encaixa as peças do jeito que estavam quando o Atlântico ainda não existia.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

NVIDIA's Founder Says Farmers Should Absolutely Use AI

“If I were a farmer, I would absolutely use AI.” 

That’s Jensen Huang, founder and CEO of NVIDIA. 

He’s pointing to one of AI’s biggest untapped opportunities: farming. 

DIT AgTech is already putting AI to work with 500+ units deployed and 370,000 head on-platform.

𝘐𝘯 𝘮𝘢𝘬𝘪𝘯𝘨 𝘢𝘯 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘴𝘵𝘰𝘳𝘴 𝘮𝘶𝘴𝘵 𝘳𝘦𝘭𝘺 𝘰𝘯 𝘵𝘩𝘦𝘪𝘳 𝘰𝘸𝘯 𝘦𝘹𝘢𝘮𝘪𝘯𝘢𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘯𝘥 𝘵𝘩𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘮𝘴 𝘰𝘧 𝘵𝘩𝘦 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘥𝘪𝘯𝘨 𝘵𝘩𝘦 𝘮𝘦𝘳𝘪𝘵𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘳𝘪𝘴𝘬𝘴 𝘪𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦𝘥. 𝘋𝘐𝘛 𝘈𝘨𝘛𝘦𝘤𝘩 𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘦𝘥 𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘮 𝘊 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘵𝘩𝘦 𝘚𝘦𝘤𝘶𝘳𝘪𝘵𝘪𝘦𝘴 𝘢𝘯𝘥 𝘌𝘹𝘤𝘩𝘢𝘯𝘨𝘦 𝘊𝘰𝘮𝘮𝘪𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯 𝘪𝘯 𝘤𝘰𝘯𝘯𝘦𝘤𝘵𝘪𝘰𝘯 𝘸𝘪𝘵𝘩 𝘪𝘵𝘴 𝘰𝘧𝘧𝘦𝘳𝘪𝘯𝘨, 𝘢 𝘤𝘰𝘱𝘺 𝘰𝘧 𝘸𝘩𝘪𝘤𝘩 𝘮𝘢𝘺 𝘣𝘦 𝘰𝘣𝘵𝘢𝘪𝘯𝘦𝘥 𝘩𝘦𝘳𝘦: https://bit.ly/4bzuWCi​

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O mapa do dia

Uma serra em três continentes

Uma cordilheira só, partida por um oceano.

Há uns 300 milhões de anos, no fim do período Carbonífero, quase toda a terra firme do planeta estava colada num supercontinente só, a Pangeia (do grego, “toda a terra”).

No ponto de solda entre a América do Norte, a Europa e a África subiu uma cadeia de montanhas contínua. Os geólogos a chamam de Cordilheira Central Pangeana, e ela corria perto da linha do equador, de sudoeste a nordeste.

AS PEÇAS DE HOJE

Montada de volta, a cordilheira liga o Alabama, no sul dos Estados Unidos, à Noruega, passando pela Terra Nova, pela Irlanda e pela Escócia, e desce pelo Marrocos até o Anti-Atlas.

Nos mapas geológicos atuais, os pedaços principais ficam assim:

• Apalaches: do Alabama à Terra Nova, no Canadá.

• Terras Altas da Escócia e oeste da Irlanda.

• Montanhas da costa da Noruega.

• Anti-Atlas e Meseta, no Marrocos.

Na Terra Nova, a serra reaparece como Long Range Mountains, na costa oeste da ilha, antes de mergulhar no mar. O trecho seguinte só volta à tona na Irlanda e na Escócia.

Os picos de agora são baixos. O ponto mais alto dos Apalaches, o monte Mitchell, na Carolina do Norte, tem 2.037 m. O Ben Nevis, teto da Escócia, chega a 1.345 m, com o cume acima de Fort William.

A altura original se perdeu. Chuva, gelo e rio desgastaram as rochas por centenas de milhões de anos, e o que sobrou é a raiz da serra, a parte que ficava enterrada quilômetros abaixo dos cumes.

A prova da raiz está na pedra. Xisto e gnaisse (rochas que se formam sob calor e pressão altos, no fundo da crosta) aparecem hoje na superfície, nas encostas da Carolina do Norte e nas Terras Altas.

Montanha jovem, como o Himalaia, mostra pico pontudo e vale estreito em V. Montanha velha mostra crista arredondada e rio que corta a serra de través, porque a água já corria ali quando o relevo tinha outro desenho.

Na Escócia, a borda da serra antiga tem nome: Highland Boundary Fault (Falha da Fronteira das Terras Altas). Ela corta o país em diagonal, da ilha de Arran a Stonehaven, e quem viaja de trem de Glasgow para o norte vê o relevo mudar em poucos minutos.

Ao sul da falha ficam colinas suaves e cidades industriais. Ao norte, começam os vales fundos, os lagos compridos e a rocha metamórfica (pedra transformada por calor e pressão) que liga a Escócia aos Apalaches.

 
 

II  O que tem ali

Carvão, fósseis e uma trilha

Enquanto a cordilheira subia, o pé das montanhas era pântano tropical. Samambaias gigantes e árvores de casca escamosa, como a Lepidodendron (gênero extinto, parente distante dos licopódios atuais), cresciam e tombavam na água parada.

Soterrada sem oxigênio, essa madeira virou turfa, depois linhito e depois carvão. O nome do período, Carbonífero, vem do latim carbo (carvão).

As jazidas ficaram dos dois lados do futuro oceano. Na Pensilvânia, o carvão dos Apalaches alimentou as siderúrgicas de Pittsburgh no século 19. Na Escócia, as minas do Vale Central sustentaram a indústria de Glasgow e de Edimburgo.

A mineração escocesa minguou no fim do século 20. Longannet, a última mina profunda do país, fechou em 2002, depois de uma inundação nas galerias.

TRILOBITAS DO SAARA

No Anti-Atlas, as camadas de rocha dobradas pela colisão guardam trilobitas (artrópodes marinhos extintos, parentes remotos dos caranguejos) do período Devoniano, de uns 400 milhões de anos. Vilas como Alnif vivem de escavar, limpar e vender esses fósseis.

Os trilobitas viviam no fundo de um mar raso que cobria o norte da África antes da colisão. Quando a África empurrou o bloco norte, o fundo desse mar foi espremido, dobrado e erguido como papel amassado.

As dobras se veem do carro. Na estrada entre Alnif e Erfoud, as camadas formam arcos e serpentinas nas encostas peladas, sem árvore nem solo para esconder o desenho.

Na Escócia, a pedra mais famosa das Terras Altas é ainda mais velha: o gnaisse lewisiano, nas Hébridas Exteriores, está entre as rochas mais antigas da Europa e serviu de base para as camadas que a colisão dobraria por cima.

A trilha da placa verde usa esse mapa de rochas para escolher o caminho. Nos Estados Unidos, ela emenda no Appalachian Trail, a trilha entre a Geórgia e o Maine concluída em 1937.

Na Escócia, o trecho segue a costa oeste e as Terras Altas, por onde o xisto aflora. Quem anda em Vermont e depois em Fort William pisa no mesmo tipo de rocha, com a mesma mica brilhando nas fendas.

O valor da serra para quem vive nela mudou. O carvão parou de pagar as contas na Escócia e no leste americano; o fóssil e a caminhada passaram a trazer visitante para as vilas do Marrocos e para os vales escoceses.

 

Quem banca a edição de hoje

285 Free Prompts to Save Time

Your inbox isn't the problem. Neither are your meetings. It's the hours you spend on work AI could do in minutes. 

285 copy-paste prompts: built for email, meetings, admin, and delegation. Each one has a clear role, a specific task, and a defined output. 

No setup. No prompt engineering. Just copy, paste, and get your time back. Free when you subscribe to Mindstream.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Por que a linha passa ali

O oceano fechou e abriu de novo

A cordilheira não nasceu de um choque só. Antes dela existia outro oceano, o Iapetus (nome do titã grego Jápeto, pai de Atlas), que separava o bloco da América do Norte e da Escócia do bloco que levava a Inglaterra.

Entre 490 e 390 milhões de anos atrás, o Iapetus fechou. O choque, chamado orogenia caledoniana (orogenia: formação de montanhas por colisão de placas), ergueu as Terras Altas e a parte norte dos Apalaches.

Depois veio o sul. Há uns 300 milhões de anos, a Gondwana, continente que reunia África e América do Sul, bateu no conjunto norte e completou a Pangeia. Nos Estados Unidos, essa fase se chama orogenia alleghaniana; na Europa, varisca. Ela dobrou o sul dos Apalaches e o Anti-Atlas.

A SOLDA NA FRONTEIRA

A costura do Iapetus passa quase na fronteira atual entre Escócia e Inglaterra, perto do estuário de Solway. Escoceses e ingleses vivem sobre rochas que nasceram em continentes diferentes.

Há uns 200 milhões de anos, a Pangeia começou a rachar. O Atlântico central abriu primeiro, entre o Marrocos e a costa leste americana; o Atlântico norte, entre a Groenlândia e a Europa, só se separou dezenas de milhões de anos depois.

A fenda nova não seguiu a costura antiga à risca, e pedaços trocaram de margem: a Escócia, nascida no bloco americano, ficou presa à Europa, e faixas do antigo bloco europeu ficaram na Terra Nova e na região de Boston.

A falha do Great Glen, a do lago Ness, continua na Terra Nova com outro nome, falha de Cabot. As duas eram uma fratura só quando o Atlântico ainda não existia.

Em 1915, o meteorologista alemão Alfred Wegener já tinha usado as serras como prova no livro A Origem dos Continentes e Oceanos: as dobras dos Apalaches casavam com as da Escócia e da Noruega quando os mapas eram encaixados. Faltava explicar o motor. Sem um mecanismo que movesse continentes, a maior parte dos geólogos da época rejeitou a ideia por quase meio século.

O geofísico canadense J. Tuzo Wilson deu a explicação num artigo de 1966 na revista Nature, com um título em forma de pergunta: “Did the Atlantic close and then re-open?” (“O Atlântico fechou e depois reabriu?”). A resposta dele, aceita hoje, é sim. Oceanos fecham e abrem em ciclos, e o fenômeno ganhou o nome de ciclo de Wilson.

O Atlântico segue abrindo. O USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) registra, no livreto This Dynamic Earth, de 1996, que o oceano alarga uns 2,5 cm por ano, o ritmo de crescimento de uma unha.

A velocidade se refere ao trecho central do oceano e é refeita pelas estações de GPS das duas margens. Reconfira o valor no portal de placas tectônicas do USGS, em usgs.gov, no próximo 18 de outubro.

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, por que a mina escocesa de Longannet fechou em 2002?

APor esgotamento das reservas de carvão
BPor uma inundação nas galerias
CPor uma decisão do governo britânico de banir o carvão
DPor falta de trabalhadores na região

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🗺️🗺️🗺️🗺️🗺️  ótima 🗺️🗺️🗺️🗺️  boa 🗺️🗺️🗺️  ok 🗺️🗺️  ruim 🗺️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 18/10, 23h

A Rio Casiquiare →
B Rio Amarelo Suspenso →
C Deserto de Lut →
D Lago Kivu →
 
Recomendação de Newsletter
Mistérios Milenares

Mistérios Milenares

Toda noite, 20:20 na sua caixa: o enigma, as evidências e a pergunta que ninguém respondeu. Com o rigor que você sempre quis e nunca achou em português.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Fecha o atlas. Até amanhã.

Geografia do Dia

GEOGRAFIA DO DIA

Um mapa por dia

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter