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Três mil quilômetros de canal principal sem uma linha de concreto por cima.
Do ponto em que o rio ganha o nome de Amazonas, no Peru, até o Atlântico, são mais de 3.500 quilômetros de canal principal sem uma travessia fixa. Contando as cabeceiras andinas, o curso passa de 6.400 quilômetros.
O rio entra no Brasil chamado Solimões, em Tabatinga, e só assume o nome de Amazonas depois de Manaus, quando recebe o Rio Negro. O nome muda duas vezes, o canal é o mesmo.
Fora do período de cheia, esse canal tem entre 2 e 10 quilômetros de margem a margem, conforme o trecho. Na cheia, a água sai do leito e a planície alagada chega a dezenas de quilômetros de largura.
O ponto mais estreito de todo o curso baixo fica em Óbidos, no Pará. Ali o rio se aperta em pouco mais de dois quilômetros e compensa a estreiteza descendo: o leito passa de 60 metros de profundidade e a correnteza acelera.
É o lugar mais óbvio do mapa para uma ponte, e também o mais fundo e o mais rápido.
Na outra ponta, a foz passa de 300 quilômetros de margem a margem, com a ilha de Marajó encaixada no meio. A ilha tem cerca de 40 mil quilômetros quadrados, quase o tamanho da Suíça.
Pelo conjunto passam em média 209 mil metros cúbicos de água por segundo, perto de um quinto de toda a água doce que os rios do planeta entregam ao mar.
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Nenhum ponto do canal principal foi ligado por concreto. Em qualquer quilômetro do curso, quem cruza de uma margem à outra cruza flutuando.
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Do lado do mapa que interessaria a uma ponte, quase não existe estrada. O estado do Amazonas tem 1,5 milhão de quilômetros quadrados e um punhado de rodovias pavimentadas.
Manaus, com mais de dois milhões de habitantes, não tem ligação por asfalto contínuo com o resto do país. Ao norte a BR-174 sobe para Boa Vista. Ao sul a BR-319 some no barro antes da metade.
A única ponte de porte da região atravessa o Rio Negro, não o Amazonas. São 3.595 metros entre Manaus e Iranduba, abertos em outubro de 2011, com vão central de 400 metros.
O encontro do Negro com o Solimões acontece uns dez quilômetros rio abaixo da ponte. A obra parou antes de chegar no canal principal.
Quem precisa cruzar o canal pega balsa. Em Manaus, o caminhão que vai para o sul embarca e desembarca em Careiro da Várzea, na outra margem, onde a BR-319 realmente começa.
Mais a leste, no corredor da soja, a carreta que desce do Mato Grosso pela BR-163 para numa rampa em Miritituba, na margem do Tapajós. Dali em diante a carga viaja em barcaça.
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