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Em 1949, uma expedição soviética chegou às Pedras Negras para furar o primeiro poço. O projeto tinha o apoio de Nikolai Baibakov, então ministro da indústria do petróleo da União Soviética.
No dia 7 de novembro de 1949, a brigada do mestre-perfurador Mikhail Kaverochkin tirou petróleo do poço, a uns mil metros de profundidade. A data marcava o aniversário da Revolução de 1917.
Faltava onde morar. Os primeiros homens dormiam em barracas e barcos ancorados, expostos às tempestades do norte.
O CHÃO DE FERRO
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Para criar o primeiro pedaço de chão firme, os engenheiros afundaram sete navios velhos sobre o banco raso, lado a lado, e encheram os cascos de pedra.
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Um deles era o Zoroaster, construído na Suécia em 1878 para os irmãos Nobel, que exploravam petróleo em Baku. Foi um dos primeiros navios-tanque do mundo a levar petróleo em compartimentos no próprio casco.
Sobre os cascos, os operários ergueram as primeiras casas de madeira. Depois vieram as estacadas, plataformas de aço apoiadas em colunas cravadas no fundo e ligadas por pontes.
As pontes cresceram até formar uma malha de ruas. Nos anos 1960, a rede de estacadas somava centenas de quilômetros, com poços, oficinas e caminhões circulando sobre o mar.
O assentamento ganhou a vida de uma cidade pequena. Havia prédios de alojamento de vários andares, refeitório, padaria, hospital, biblioteca, cinema e uma fábrica de limonada.
A terra dos canteiros veio de barco, desde a costa. Os moradores plantaram árvores numa praça, e algumas resistem ao vento salgado até hoje.
Os turnos traziam homens de todo o Azerbaijão e de outras repúblicas soviéticas. Muitos passavam décadas indo e voltando, duas semanas sobre as estacas e duas em casa.
O abastecimento vinha todo de Baku. Navios traziam água doce, comida, peças e combustível, e levavam de volta o petróleo em navios-tanque ou, mais tarde, por oleodutos no fundo do mar.
Em dezembro de 1957, uma tempestade derrubou um trecho de estacada com uma torre de perfuração, e os homens que trabalhavam nela foram arrastados pelo mar. O caso entrou na memória do lugar como o maior desastre dos primeiros anos.
Com o fim da União Soviética, em 1991, a produção caiu e parte das estacadas ficou sem manutenção. Trechos inteiros enferrujaram e desabaram na água.
Hoje a operação é da SOCAR, a companhia estatal de petróleo do Azerbaijão. A empresa mantém dezenas de quilômetros de estacadas em uso e segue tirando petróleo dos poços mais antigos.
Em 1999, o filme de James Bond The World Is Not Enough (O Mundo Não É o Bastante) gravou cenas em Neft Daşları. A entrada de visitantes segue restrita: só entra quem tem autorização da SOCAR.
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