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A Perito Moreno chega até a península porque recebe neve suficiente para repor o gelo que perde na frente. A maioria das geleiras vizinhas encolhe há décadas, e ela se manteve quase no mesmo lugar ao longo do século 20.
A neve vem do Pacífico. Os ventos de oeste carregam umidade do oceano, batem nos Andes, sobem e esfriam, e a água cai como neve no alto da calota de gelo.
Lá em cima, a neve se acumula, se compacta e vira gelo. O peso empurra esse gelo morro abaixo, e ele desce pelo vale como uma massa lenta até o lago.
Na frente, a geleira perde gelo por ablação (derretimento e desprendimento de blocos). Enquanto a neve que entra no alto compensa o gelo que sai embaixo, a frente fica parada, ou avança um pouco.
O vale ajuda. Ele é estreito na descida, o que segura o gelo em volume, e a frente apoia no fundo raso perto da península, o que a deixa menos exposta à água que derrete o gelo por baixo.
COMO O DIQUE SE ROMPE
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O fechamento do braço Rico termina sempre do mesmo jeito: a água presa abre caminho por dentro do gelo até a parede não aguentar o próprio peso.
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O processo segue quatro passos:
1. A frente avança e encosta na ponta da península de Magallanes, fechando a passagem do canal.
2. Os rios e as geleiras menores continuam despejando água no braço Rico, e o nível sobe mês após mês.
3. A água infiltra pelas frestas do contato entre o gelo e a rocha, alarga um túnel e forma um arco de gelo sobre a passagem.
4. O arco fica cada vez mais fino até desabar na água, e o braço Rico esvazia no resto do lago.
O primeiro fechamento registrado aconteceu em 1917. Desde então o ciclo voltou várias vezes, com intervalos irregulares. Houve rompimento em 1988 e depois um longo hiato até março de 2004, quando milhares de pessoas foram à península para ver o arco cair.
Ninguém consegue prever a data exata de um rompimento. A velocidade com que a água abre o túnel depende da temperatura do lago, do volume que chega dos rios e de fissuras escondidas no gelo, e nenhum desses fatores se mede inteiro de fora.
Nos últimos anos, a frente começou a recuar em alguns pontos, e o contato com a península ficou mais raro. Se a tendência continuar, o dique pode deixar de se formar, mas ainda não há como saber quando.
O nível do braço Rico e a posição da frente são acompanhados pela Administración de Parques Nacionales da Argentina. Reconfira a situação do contato com a península no site parquesnacionales.gob.ar em março de 2027, no fim do verão austral, quando o gelo costuma estar mais avançado.
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