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O Mississippi troca de caminho até o mar de tempos em tempos, quase sempre na escala de séculos. O delta da Louisiana é um mosaico de bocas antigas, cada uma abandonada quando o rio achou uma rota mais curta.
O motivo é a lama. Na foz, o rio deposita sedimento, o leito vai ficando comprido e plano, e a água perde força. Quando uma cheia rompe a margem e acha uma descida mais íngreme, o rio inteiro vai atrás.
O Atchafalaya é essa descida. Por séculos, porém, ele ficou fechado por uma barreira de troncos chamada jangada (raft, em inglês), um entulho de árvores caídas que entupia o leito por dezenas de quilômetros.
Em 1831, o capitão Henry Miller Shreve cortou uma curva do Mississippi, a Turnbull, para encurtar a viagem dos barcos a vapor. O pedaço abandonado da curva virou o Old River, o canal que liga os dois rios.
Pouco depois, o estado da Louisiana começou a tirar a jangada do Atchafalaya para abrir navegação. Sem os troncos, o rio menor passou a puxar cada vez mais água do Mississippi.
O AVISO DE 1952
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Em 1952, o geólogo Harold Fisk entregou ao Corpo de Engenheiros um estudo que previa a captura do Mississippi pelo Atchafalaya por volta de 1975.
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Fisk mostrou que a fatia de água desviada crescia a cada década. Se nada fosse feito, o rio grande trocaria de leito, e Baton Rouge e Nova Orleans ficariam diante de um braço de água salgada e parada.
O Congresso americano reagiu com a Lei de Controle de Enchentes de 1954, que autorizou a obra e fixou a divisão: 70% para o Mississippi, 30% para o Atchafalaya, contando a água do rio Vermelho junto.
O controle segue quatro passos, repetidos o ano inteiro:
1. Os técnicos medem a vazão que chega do norte pelo Mississippi e pelo rio Vermelho.
2. Calculam quanto dá 30% dessa soma naquele dia.
3. Abrem ou fecham as comportas da Soleira Baixa, da Auxiliar e da usina até a passagem bater com a cota.
4. Nas cheias grandes, abrem também a Estrutura de Transbordo, sempre de olho no mesmo limite.
O teste mais duro veio na enchente de 1973. A correnteza cavou um buraco sob a Soleira Baixa, arrancou uma das paredes laterais e deixou a barragem apoiada em menos chão. A estrutura aguentou, e a Auxiliar nasceu desse susto.
O escritor John McPhee contou a história no ensaio "Atchafalaya", publicado no livro "The Control of Nature" (O Controle da Natureza), de 1989. Ele ouviu os engenheiros da obra e descreveu o lugar como o ponto onde a força do rio encontra a vontade do país.
Ninguém sabe se as comportas aguentam para sempre. O Atchafalaya continua mais íngreme, e a pressão sobre a obra não diminui. O Corpo de Engenheiros mantém o conjunto e o inspeciona a cada cheia.
A vazão diária e a divisão entre os dois rios ficam publicadas pelo Distrito de Nova Orleans do Corpo de Engenheiros. Reconfira a fatia do Atchafalaya na página do distrito, mvn.usace.army.mil, em abril de 2027, no auge da cheia de primavera.
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