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Uma capital inteira, plantada longe de tudo.
Naypyidaw saiu do papel a mando do general Than Shwe, chefe da junta militar que governava Mianmar desde 1992. Ele nunca deu entrevista sobre a obra, e a cidade foi erguida em sigilo, longe de jornalistas.
A mudança começou na madrugada de 6 de novembro de 2005. Comboios de caminhões militares deixaram Yangon carregados de arquivos, mesas e servidores de ministérios, avisados da transferência com poucos dias de antecedência.
O nome veio meses depois, em 27 de março de 2006, Dia das Forças Armadas. Naypyidaw quer dizer, em birmanês, “morada dos reis”, título que os monarcas antigos davam às cidades onde instalavam a corte.
AS ZONAS DO TABULEIRO
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O plano separa a capital em zonas fechadas por função, ligadas por avenidas largas e quase vazias. Ninguém mora perto do lugar onde trabalha.
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Nos mapas da cidade, as peças principais ficam assim:
• Zona dos ministérios: um prédio isolado por pasta.
• Parlamento: complexo de 31 edifícios cercado por fosso.
• Zona militar: fechada a civis.
• Zona hoteleira: hotéis enfileirados à beira da estrada.
• Bairros de servidores: blocos de apartamentos.
Os bairros de moradia seguem a hierarquia do serviço público. Funcionário de escalão baixo vive em bloco de quatro andares; ministro, em casa isolada com jardim. Jornalistas estrangeiros que visitaram a cidade relataram telhados pintados conforme o ministério dos moradores.
A avenida mais famosa, a Yaza Thingaha, corre diante do Parlamento com vinte faixas no trecho mais largo. Fora do horário de entrada e saída do expediente, ela fica deserta.
A largura alimentou uma suspeita entre diplomatas: a avenida serviria de pista de pouso para aviões militares numa emergência. O governo nunca confirmou nem negou, e a razão do tamanho continua sem explicação oficial.
No eixo do plano fica o pagode Uppatasanti (nome em páli, a língua dos textos budistas, que significa “proteção contra calamidades”), terminado em 2009. É uma réplica do Shwedagon, o santuário dourado de Yangon, mantida alguns centímetros mais baixa, em respeito ao templo mais sagrado do país.
Entre uma zona e outra há quilômetros de gramado, mata replantada e asfalto. Não existe calçada contínua ligando os bairros, e quem não tem carro ou moto depende dos ônibus de servidores, que rodam em horário fixo.
A energia elétrica também segue o mapa. Nos anos em que Yangon e Mandalay passavam horas por dia no escuro, a capital nova tinha luz nos postes da avenida a noite inteira.
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