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A moratória só alcançava o mar sob controle do Canadá. Em 1977, o país estendeu sua zona econômica exclusiva (faixa de mar onde só ele decide quem pesca) a 200 milhas náuticas da costa, uns 370 km.
A linha foi traçada pela distância até a costa, sem olhar o relevo do fundo. Como o banco avança até uns 450 km, o Nariz e a Cauda ficaram fora dela, em águas internacionais.
O PEIXE NÃO RESPEITA FRONTEIRA
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Os cardumes se movem pelo banco inteiro, dentro e fora da linha. Barcos estrangeiros pescavam legalmente no Nariz e na Cauda os mesmos estoques que o Canadá tentava proteger do lado de dentro.
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As águas de fora da linha ficaram sob a Organização de Pescas do Atlântico Noroeste (NAFO, na sigla em inglês), criada em 1979, que fixa cotas para os países membros. As cotas dependiam de acordo, e o acordo demorava.
Em março de 1995, o choque virou caso de polícia. Navios canadenses perseguiram e apreenderam o arrastão espanhol Estai em águas internacionais, na Cauda do Banco, e acusaram o barco de usar rede de malha menor que a permitida.
A Espanha enviou um navio da marinha, e o episódio ficou conhecido como Guerra da Palmeta, nome português do alabote-da-groenlândia, o peixe chato de águas frias que o Estai pescava. Canadá e União Europeia fecharam um acordo em abril do mesmo ano, com fiscais a bordo dos barcos.
Debaixo da Cauda e do Nariz existe ainda outra riqueza. Em 1979, a perfuração do poço Hibernia achou petróleo no banco, e a plataforma de mesmo nome começou a produzir em 1997, sobre 80 metros de água, a uns 315 km de St. John's, a capital da província.
Os vinte anos seguintes à moratória mostraram o tamanho do estrago. O bacalhau do norte cresce devagar e só começa a desovar com uns seis ou sete anos, e o capelim, sua comida principal, também encolheu no começo da década de 1990. Sem peixes adultos para repor a população, o estoque ficou anos parado no fundo.
O bacalhau voltou devagar. Em junho de 2024, o governo do Canadá encerrou a moratória do bacalhau do norte, depois de 32 anos, e liberou uma cota comercial de 18 mil toneladas para aquele ano.
O tamanho da cota de cada ano sai da avaliação do estoque feita pelo Departamento de Pescas e Oceanos do Canadá (DFO). Reconfira o número na página de avaliações de estoque do DFO, em dfo-mpo.gc.ca, na primavera de 2027, quando sai a avaliação seguinte do bacalhau do norte.
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