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O motivo do fechamento tem nome científico, Bothrops insularis, e nome de mapa, jararaca-ilhoa. Ela vive naquela ilha e em nenhum outro ponto do planeta, o que faz de 43 hectares a área de distribuição total da espécie.
Um adulto costuma medir entre 70 e 90 centímetros e tem coloração amarelada ou marrom-dourada, mais clara que a da jararaca comum do continente. A diferença de cor não é detalhe estético, combina com o tronco e a folha seca por onde ela passa a maior parte do tempo.
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Ela não é uma serpente de chão: sobe em arbusto e em árvore e fica parada por horas em galho na altura do peito de uma pessoa, esperando pássaro pousar. É por isso que quem sobe a trilha olha para cima, e não só para baixo.
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A história do bicho por metro quadrado ficou famosa e é falsa. As estimativas de população mais aceitas ficam na casa de alguns milhares de indivíduos na ilha inteira, densidade altíssima para uma serpente, mas longe da imagem de tapete de cobra que circula em vídeo de internet.
Quem mora e quem passa
A ilha não tem roedor terrestre nativo, e isso muda toda a cadeia. Sem rato disponível, o cardápio da jararaca-ilhoa é ave migratória que usa a ilha como parada de descanso em rota, principalmente durante as passagens sazonais.
O filhote resolve o problema de outro jeito enquanto não alcança presa emplumada. Registros de campo mostram juvenis se alimentando de lacraia e de outros invertebrados grandes, um cardápio de transição que o animal abandona quando cresce.
A vizinhança de escamas é curta. Além da jararaca-ilhoa, a ilha abriga uma serpente pequena e sem veneno do gênero Dipsas, especializada em molusco, e lagartos que aproveitam o costão. Fauna de ilha é sempre uma lista curta.
Um detalhe reprodutivo chama atenção dos pesquisadores. A população apresenta frequência incomum de indivíduos intersexuais, com características de macho e de fêmea no mesmo animal, algo raro em serpentes e associado ao isolamento e ao histórico populacional restrito da ilha.
A espécie está classificada em categoria de ameaça grave nas listas de conservação, e as pressões são conhecidas: coleta ilegal para tráfico de animais, incêndio em vegetação de ilha pequena, doença que se espalha rápido numa população fechada e qualquer supressão da mata que resta.
A conta é fria. Uma única temporada ruim em 43 hectares não tem para onde ser compensada, porque não existe população vizinha para repovoar o lugar. É por essa aritmética que a Marinha mantém a porta fechada, e não por medo de turista tomar uma picada.
Fica então a pergunta de fundo. Como um bicho vai parar sozinho num morro cercado de água, sem parente do outro lado e sem caminho de volta.
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