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Sobreponha a carta do afundamento medido por satélite à carta dos lagos coloniais e as duas manchas coincidem quase linha por linha. Onde havia água, o chão desce. Onde havia rocha vulcânica ou encosta de serra, o chão fica quieto.
Bairros do poente, como Tacubaya, Lomas de Chapultepec e Santa Fé, estão assentados em tufo vulcânico e sedimento firme, e registram movimento próximo de zero. Já Iztapalapa, Ciudad Nezahualcóyotl, Ecatepec, Chalco e Valle de Chalco ocupam o fundo do antigo Texcoco e do antigo Chalco, e concentram as taxas mais altas medidas na região metropolitana.
O estrago não vem do afundamento em si, e sim da diferença de velocidade entre um ponto e o ponto vizinho. Uma faixa de terreno que desce 40 centímetros por ano encostada numa que desce 5 rasga o que estiver atravessando a fronteira entre as duas: rede de água, coletor de esgoto, trilho de metrô, muro de casa. Em Valle de Chalco e em Iztapalapa, o resultado aparece como fissuras abertas na rua, algumas com metros de profundidade.
A rede de água perde perto de 40% do volume tratado em vazamentos, boa parte deles em canos partidos pelo movimento do solo. O escoamento também virou problema, porque o Grande Canal foi projetado para correr por gravidade e perdeu a inclinação conforme a cidade desceu, o que obrigou a instalar estações de bombeamento e a abrir o Túnel Emissor Oriente, com 62 quilômetros, entregue em 2019.
1. Abra uma imagem de satélite do Vale do México e localize o aeroporto internacional Benito Juárez, no lado leste do centro. Ele está em cima do leito do Texcoco. |
2. Corra o olho para o poente até Chapultepec e repare que o relevo sobe, com encosta e vegetação densa. Ali começa o terreno firme. |
3. Volte para o leste e procure as ruas retas de Ciudad Nezahualcóyotl. O traçado em xadrez perfeito só existe porque o loteamento nasceu sobre um fundo de lago plano e seco. |
O Anjo da Independência, inaugurado em 1910 na avenida Reforma, ganhou degraus na base ao longo do século porque a calçada em volta desceu mais do que o monumento, apoiado numa fundação profunda. O número de degraus foi crescendo obra após obra, e cada degrau novo é um registro público de quanto o entorno cedeu.
"Quantos monumentos da sua cidade ganharam degraus sem que ninguém tenha decidido construí-los?"
As taxas de afundamento e o mapa de fissuras são atualizados pelo Instituto de Geofísica da UNAM e pelo Serviço Geológico Mexicano, e o nível dos reservatórios do Sistema Cutzamala sai em boletim semanal da Conagua. Reconfira nessas fontes depois do fim da temporada de chuvas, em outubro, antes de repetir qualquer número desta edição.
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